resumos
O I Seminário Internacional do Mobilefest contou, durante a Solenidade de Abertura, com a participação de Marcelo Bechara, representante do Ministério das Comunicações, Elisa Santive gerente da unidade Sesc Paulista e com os organizadores, Marcelo Godoy e Paulo Hartmann.
A Conferência inicial do I Seminário Internacional Mobilefest, “Telefone celular: uma antropologia da Comunicação”, foi proferida pela antropóloga americana, da Universidade da Califórnia, Heather Horst, que em seu último livro, em parceria com Daniel Miller, intitulado “The Cell Phone: An Anthropology of Communication” (Oxford and NY: Berg, 2006) explorou as implicações específicas do uso do telefone celular e da industria de telefonia celular na área rural e urbana da Jamaica.
Durante a Conferência, Heather levantou a questão das relações entre a cultura e esses novos meios de comunicação universais, mostrando as mediações culturais e materiais nas relações das pessoas com essas tecnologias amplamente e crescentemente difundidas por todas as classes sociais na Jamaica. A partir de uma minuciosa apresentação sobre a situação da telefonia móvel na Jamaica e de sua metodologia de pesquisa, Heather apontou que entre as comunidades carentes na Jamaica não só o tipo de comunicação estabelecida era diferente, mas também os usos e os sentidos atribuídos. Pois, durante a pesquisa, Heather constatou que além de ser um instrumento que intensifica as relações familiares e de amizade, seu principal uso se dá no sentido da criação e manutenção de redes sociais extensas, refletindo muito mais uma busca contínua por expandir o universo pessoal de contatos – o que Heather e Miller denominaram “link up” (uma série de pequenas ligações que sinalizam para o interlocutor que suas relações se mantém, até que precisem fazer uma solicitação mais específica). É interessante notar que, neste contexto, o celular ganha um uso bastante diferente do que o esperado, pois ele não serve apenas para conseguir trabalhos e para o desenvolvimento de empreendimentos comerciais, ou seja, ao menos entre os habitantes de baixa renda, o celular é muito mais uma ferramenta para obter dinheiro e não para fazer dinheiro.
Outros usos interessantes apontados por Heather e que serviram de exemplos para as reflexões posteriores durante o I Seminário Internacional Mobilefest - sobre como a tecnologia móvel pode contribuir para melhorar a vida das pessoas – diz respeito ao seu papel na dinamização de serviços públicos e outras atividades de assistência mútua. Nesse sentido, Heather apontou que foram percebidas melhoras significativas em relação � sensação de segurança dos habitantes que podem chamar a polícia de suas próprias casas e também um aumento significativo de ligações para a realização de denuncias anônimas. Também chamou atenção para o papel destes aparelhos para dinamizar o sistema de táxis na comunicação com médicos, hospitais e serviços de saúde nas áreas rurais remotas, considerando a inexistência de um sistema extensivo e confiável de ambulâncias.
A primeira mesa do Seminário Internacional, intitulada “Tecnologia móvel como ferramenta de educação e transformação”, contou com a participação de especialistas e pesquisadores vinculados a projetos que utilizam as tecnologias móveis para desenvolver novos processos educativos e sociais, o debate trouxe a tona confluências importantes entre essas experiências, além da questão da constituição de redes vinculadas, em alguns casos, somente aos requisitos educacionais e, em outros, como forma de incentivo e promoção de uma tessitura social para o exercício da cidadania. A mesa foi composta por: David Cavallo , Graham Brown-Martin, Paulo Henrique Ferreira, Heather A.Horst, Max Leite e teve a mediação de Gilson Schwartz.
O Painel 1, “As partituras que vibram”, teve uma composição bastante heterogênea, com representantes da indústria, Leonardo Xavier, Gustavo Mansur, Pedro Paranaguá, e a mediação do jornalista, Alexandre Matias.
A última mesa do primeiro dia de discussões do I Seminário Internacional Mobilefest, “Jogos e Comportamentos”, foi composta por Alberto Magno, Amyris Fernandez, Jinwoo Chung, Hyejin Choi, Maroussia Lévesque, com a mediação de Marcelo Carvalho.
O segundo dia de atividades do Seminário Internacional Mobilefest, iniciou com a Mostra Audiovisual Videocelular, com obras selecionadas pelo Festival Telemig Celular art.mov (Brasil) e Festival de Filmes para celular Mobifest (Canadá).
A primeira mesa do dia, “A sociedade do espetáculo móvel” – paráfrase de uma provocação do filósofo Guy Debord sobre os desdobramentos da sociedade de consumo e comunicação de massa do pós segunda guerra mundial – propunha-se a uma reflexão mais geral sobre a cultura ocidental em tempos de rápidas e inesperadas revoluções tecnológicas, através da consideração das novas formas de relacionamento do cidadão comum com a arte e os meios de comunicação e consumo de massa.
Para levar adiante tal desafio, a mesa contou com a participação de personalidades de vários contextos: Suely Rolnik que fez a mediação; do fotógrafo Juca Varella , Adriene Jenik e Christian Wiener.
Durante as apresentações dos projetos nos quais estavam envolvidos e no disputado debate posterior, os convidados procuraram refletir sobre as potencialidades das novas tecnologias móveis enquanto transgressoras ou reiteradoras da lógica da sociedade do espetáculo. Trouxeram a tona, dessa forma, importantes reflexões sobre as novas formas de percepção do tempo e do mundo social e que dizem respeito, em especial, � conformação de espaços de interatividade marcados pela imaterialidade e simultaneidade das relações, capazes de envolver um número cada vez maior de pessoas de maneira ativa.
O Painel que se seguiu, M-Marketing - Comércio e Publicidade no celular, reuniu representantes de diversos segmentos protagonistas do novo mercado via meios móveis, como Andreas Blazoudakis , Otakar Svacina , Felipe Albuquerque Pereira e Fernando Teco Sodré como mediador. O objetivo foi realizar um percurso exploratório sobre a transformação do celular em diversas áreas do comércio, dos serviços e do governo.
Um dos aspectos do mercado móvel intensamente debatido neste painel foi a questão da dinamização de redes de produção e comercialização alternativas até em localidades antes isoladas do mercado nacional e internacional.
No último painel do evento, Locative Media: Onde estamos? os idealizadores apresentaram um interessante debate sobre os desenvolvimentos e aperfeiçoamentos dos meios de localização e os sentidos que adquirem no interior do mundo mobile. Contando com a presença de Rob van Kranenburg, Daniel Oelsner Lopes , Juan Carlos Zuñiga Torres, Lucas Bambozzi e com a mediação de André Lemos.
O I Seminário Internacional de Arte e Criatividade móvel foi finalizado com a Conferência de Encerramento: Experiências em arte móvel, proferida pelas artistas multimídia Adriene Jenik e Giselle Beiguelman.
